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[EXAME] Startup de recrutamento Kenoby recebe R$ 3,3 mi do Brasil Venture Debt I

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Menos de um mês após ter recebido 20 milhões de reais em uma rodada de investimento liderada pelo fundo brasileiro Astella, a startup Kenoby recebeu 3,3 milhões de reais do Brasil Venture Debt I. Em vez de comprar participação nas empresas, o fundo trabalha com empréstimos empresariais. 

O Brasil Venture Debt I tem um fundo de 140 milhões de reais e planeja emprestar o valor para cerca de 35 startups até o final de 2021. O fundo foca em empresas com faturamento entre 3,5 e 90 milhões de reais, que tenham uma unidade econômica sustentável e estejam crescendo rapidamente. Os cheques emprestados podem variar de 1 a 14 milhões de reais.

O modelo de Venture Debt funciona como um empréstimo tradicional concedido por bancos a empresas, com pagamento de juros e prazos de pagamento. A diferença é que o fundo utiliza os critérios de seleção do Venture Capital para selecionar as empresas que poderão receber o investimento.

No caso da Kenoby, a presidente do Brasil Venture Debt, Gabriela Gonçalves, explica que o diferencial para a concessão do dinheiro foi a equipe da empresa e a capacidade de administração do presidente da startup, Marcelo Lotufo. “Além disso, a Kenoby está vendendo o produto em uma velocidade absurda, tem uma taxa de perda de clientes baixíssima”, explica a gestora. 

Para a startup, a modalidade de crédito foi a forma encontrada de levantar o capital que precisava para operar sem diluir muito a participação dos sócios atuais. “Os bancos tradicionais tem uma série de restrições, olham para o balanço das startups e não entendem a queima de caixa todo mês, o que reduz nossas opções de crédito”, explica o diretor financeiro da empresa, André Gouvinhas.

Com a Brasil Venture Debt, eles terão um prazo de 36 meses para pagar o valor, com uma taxa mensal entre 1,7% e 2% ao mês. 

A startup planeja usar os milhões recebidos para aprimorar seus produtos, utilizando inteligência artificial para melhorar o software de recrutamento existente. Além disso, a empresa deve ampliar seu número de funcionários de 100 para 300 nos próximos dois anos.

Atualmente, a companhia tem mais de 450 clientes na América Latina, como as empresas de tecnologia Hotmart e Loggi, e grandes companhias, como McDonald’s, Leroy Merlin, Kroton, Renault-Nissan e Alelo. Com o novo investimento, a expectativa da companhia é dobrar seu faturamento em 2020, assim como aconteceu em 2019.

História da startup

Aos 34 anos, após ter trabalhado em diversas áreas, Marcel Lotufo, ex-headhunter, decidiu empreender. Em 2015, ele decidiu criar no Brasil uma solução digital que ajudasse empresas a recrutar candidatos com mais eficiência e produtividade. Um ano depois, começou a oferecer seu software no mercado.

A primeira cliente da Kenoby foi a empresa de benefícios alimentares Alelo. Desde então, o portfólio de clientes se expandiu para mais de 450 companhias. “No começo não foi fácil, as empresas não sabiam que precisavam de uma solução assim”, contou o fundador em entrevista anterior a EXAME.

A startup oferece seu software por meio de contratos anuais, precificados de acordo com o tamanho da companhia cliente. O departamento de recursos humanos é quem opera a ferramenta, que possui mecanismos para gerir desde a seleção de candidatos até o envio da carta de aprovação.

A metodologia desenvolvida pela Kenoby consegue reduzir o tempo de contratação e o custo operacional do recrutamento em até 50%. Desde que a empresa foi fundada, mais de 150 mil candidatos já foram recrutados pelas empresas com ajuda do software. Mensalmente, a plataforma realiza mais de 2 milhões de candidaturas, segundo a empresa.

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