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Bem-vindos a Palestina


2 replies to this topic

#1 Lia

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Postou 18 setembro 2009 - 10:51

Robert Fisk, Belfast Telegraph
domingo 17 de Junho de 2007


Que desagradáveis são esses muçulmanos do Médio Oriente! Primeiro pedimos aos palestinos que adoptem a democracia, e então eles elegem o partido errado – Hamas –, e depois o Hamas ganha uma mini-guerra civil passando a dominar a Faixa de Gaza. E nós, ocidentais, ainda queremos negociar com o desacreditado presidente Mahmoud Abbas. Hoje, a “Palestina” – e permita-me que mantenha as aspas – tem dois primeiros-ministros. Bem-vindos ao Médio Oriente. Com quem negociaremos? A quem nos dirigiremos para convensar? É claro que deveríamos ter falado há meses com o Hamas. Mas não nos agradava este governo eleito democraticamente pelo povo palestiniano. Supúnhamos que iam votar na Fatah e nos seus corruptos dirigentes. Mas votaram no Hamas, que se recusa a reconhecer Israel ou acatar o totalmente desacreditado Acordo de Oslo.

Ninguém perguntou – do nosso lado – a que “Israel” se esperava que o Hamas fosse reconhecer. O Israel de 1948? O Israel das fronteiras posteriores a 1967? O Israel que construiu – e continua a construir – imensos assentamentos para judeus e só para judeus na terra árabe, engolindo até mais de 22% da “Palestina”, sobre a qual ainda há que negociar?

E, por isso, hoje se acredita que temos que falar com o nosso fiel polícia, o Sr. Abbas, o “moderado” (como o chamam a BBC, a CNN e Fox News) dirigente palestiniano, um homem que escreveu um livro de 600 páginas sobre Oslo sem mencionar nem uma só vez a palavra “ocupação”, referindo-se sempre à “reorganização israelita” como “retirada”, um “dirigente” no qual podemos confiar porque mantém relações e frequenta a Casa Branca e sempre diz o que nos convém. Os palestinianos não votaram no Hamas porque queriam uma república islâmica – que é como se apresentará a sangrenta vitória do Hamas – mas porque estavam cansados da corrupção da Fatah do Sr. Abbas e da natureza putrefacta da “Autoridade Palestiniana” (AP).

Recordo que há anos me convocaram para ir à casa de um funcionário da AP cujos muros tinham acabado de ser perfurados pelo projecto de um tanque israelita. E assim era. Mas o que me deixou atónito foram as torneiras revestidas em ouro de sua casa de banho. Essas torneiras – ou qualquer um de seus múltiplos variantes – foram o que custaram as eleições à Fatah. Os palestinianos queriam que a corrupção – o câncer do mundo árabe – se acabasse e por isso votaram no Hamas, e, a seguir, nós, os sempre tão sábios e tão bons ocidentais, decidimos sancioná-los e matá-los de fome e intimidá-los por exercer o seu voto livre. Chamaríamos a “Palestina” a integrar a União Europeia se houvessem sido suficientemente amáveis para votar nas pessoas certas?

No Médio Oriente é a mesma coisa. Apoiamos Hamid Karzai no Afeganistão, apesar de manter em seu governo senhores de guerra e barões da droga (e, a propósito, lamentamos muito todas essas mortes de civis afegãos inocentes de nossa “guerra contra o terror” nos confins da província de Helmand). Amamos Hosni Mubarak do Egipto, cujos torturadores ainda não eliminaram totalmente os políticos pertencentes aos Irmãos Muçulmanos, presos recentemente fora do Cairo, cuja presidência recebeu o especial apoio da Sra. – sim, a senhora – George W. Bush, e cuja sucessão passará quase com certeza ao seu filho, Gamal. Adoramos Muhammar Kadhafi, o enlouquecido ditador da Líbia, cujos homens-lobo assassinaram no estrangeiro os seus oponentes, cujo complot para assassinar o rei Abdullah da Arábia Saudita precedeu a recente visita de Tony Blair a Tripoli – deveria recordar-se que o coronel Kadhafi foi chamado “homem de estado” por Jack Straw por ter abandonado as suas inexistentes ambições nucleares – e cuja “democracia” é perfeitamente aceitável para nós porque está do nosso lado na “guerra contra o terror”. Sim, e amamos também a inconstitucional monarquia do rei Abdullah na Jordânia e de todos os príncipes e emires do Golfo, especialmente todos aqueles aos quais as nossas empresas de armamento pagam subornos tão escandalosos que até a Scotland Yard teve que parar as suas investigações por ordem do primeiro-ministro – e, sim, posso compreender, é claro, porque não lhe agrada a cobertura que o The Independent faz sobre o que chama “o Médio Oriente”. Se os árabes – e os iranianos – apoiassem apenas os nossos reis, xás e príncipes, cujos filhos e filhas educam-se em Oxford e Harvard, quão fácil nos resultaria controlar “o Médio Oriente”.

Quanto a isso – controle – essa é a razão porque temos que oferecer, e retirar, os favores de nossos líderes. Agora que Gaza pertence ao Hamas, o que farão os nossos dirigentes eleitos? Terão os nossos pontífices da União Europeia, da ONU, de Washington e Moscou que dialogar com essa gente horrível e mal-agradecida (não tenham medo, que eles não lhes vão apertar a mão) ou terão que reconhecer a versão “cisjordana” da Palestina (nas boas mãos de Abbas) enquanto ignoram o eleito e militarmente vitorioso Hamas em Gaza?

É fácil lançar uma maldição sobre ambos. Mas assim acontece com todo o Médio Oriente. Se Bashar al-Asad não fosse presidente da Síria (somente o céu sabe qual seria a alternativa) ou se o maluco presidente Mahmoud Ahmadinejad não controlasse o Irão (ainda que actualmente não se saiba onde começa e onde termina um míssil nuclear). Se o Líbano fosse somente uma democracia de nossa própria safra, como os nossos pequenos quintais de relva, como a Bélgica ou Luxemburgo. Mas não, esses incómodos médio-orientais votam sempre na gente errada, apoiam a gente errada, amam a gente errada, não se comportam como nós, os civilizados ocidentais.

Assim, pois, o que é que vamos fazer? Apoiar que se volte a ocupar Gaza, talvez? Em todo caso, o que não faremos será criticar Israel. E continuaremos a reservar nossos afectos para reis, princesas e os pouco atractivos presidentes do Médio Oriente até que toda a zona no arrebente na cara e então diremos o mesmo que estamos dizendo já dos iraquianos: que não merecem o nosso sacrifício e o nosso amor. Como vamos lidar com um golpe de estado de um governo eleito?

Tens conhecimento e visão/ opinião sobre tais conflitos?
Hoje após a saida de Bush, Obama parece querer retomar os tratados de paz, o que não será uma lição facil.

Este post foi editado por Lia: 18 setembro 2009 - 10:52


#2 Lana

    Está sempre por aqui!

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Postou 18 setembro 2009 - 12:28

Como eles são "complexos"!!! :blink:
E as boas novas não param de chegar...de norte a sul,de leste a oeste do Oriente Médio:

""Pelo menos 33pessoas morreram na explosão de um carro-bomba no noroeste do Paquistão.De acordo com a BBC, os militantes sinitas do Talebã tem realizado ataques frequentes contra os xiitas.""

Fonte:"O Globo-BBC Brasil".(18/09/2009) ;)
Lana Bandiera
Consultora Comercial

#3 Lia

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Postou 18 setembro 2009 - 13:19

Isso acontece todo dia, atentados aos palestinos, mortes de muçulmanos inocentes.
No momento em que foi implantado o estado de Israel, Palestinos que conseguiram fugir do conflito chegaram a Faixa de gaza e Jerusalém, daonde não conseguiram mais retornar. E os que ficaram descobrem que estão vivendo num novo estado, com religião cultura e lingua diferente e novas leis diferenciando-os é o Estado de ISRAEL.
E hoje conflitos todo dia, onde o Imperialismo do ocidente é quem manda, não dando tregua.
E quando são os palestinos atacando Israel, são considerados terroristas, e quando é ao contrário? É certo, é o que se tem que fazer, varrer cada vez mais o povo mulçulmano, "quebrando pela fome" e bloqueado ajudas finaceiras.





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