O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, disse hoje (1º/7), durante entrevista coletiva realizada no MDIC, que as exportações brasileiras começaram a demonstrar uma recuperação em relação aos índices registrados no início do ano, quando o comportamento se manteve abaixo dos desempenhos médios diários registrados em 2007. “Em maio, as exportações superaram os números de dois anos atrás. No caso das importações, também pela média diária, a performance se manteve semelhante aos índices verificados em 2007”, disse.
Em junho, o superávit somou US$ 4,625 bilhões (média diária de US$ 220,2 milhões), em virtude de exportações de US$ 14,468 bilhões e importações US$ 9,843 bilhões. Pelo critério da média diária, o saldo comercial brasileiro cresceu 69,5% em relação à verificada no mesmo mês de 2008 (US$ 129,9 milhões). O superávit de junho de 2009 é o melhor desde dezembro de 2006, quando chegou a US$ 5,052 bilhões.
Exportações
As exportações no mês – US$ 14,468 bilhões, com média diária de US$ 689 milhões – ficaram 22,2% abaixo do desempenho no mesmo mês do ano passado, quando a média diária chegou a US$ 885,4 milhões. Nessa comparação, caíram as vendas de produtos das três categorias: manufaturados (-31%), semimanufaturados (-23,7%) e básicos (-10,7%).
Entre os manufaturados as principais retrações foram observadas nas vendas de óleos combustíveis (-70,1%), autopeças (-40,3%), aparelhos celulares (-37%), automóveis de passageiros (-36,6%), pneus (-28,6%), calçados e partes (-28,1%), etanol (-24,2%), aviões (-27,4%) e açúcar refinado (-21,5%). Na contramão, foram registrados aumentos nas exportações de óxidos e hidróxidos de alumínio (+50,5%) e polímeros plásticos (+8%).
Nas exportações de semimanufaturados, houve queda, principalmente, em semimanufaturados de ferro e aço (-68,5%), ferro-ligas (-60,7%), couros e peles (-46%), alumínio em bruto (-22,3%) e óleo de soja em bruto (-20,6%). Também em relação a junho de 2008, foram observados crescimento nos embarques de ouro em forma semimanufaturada (+87,1%), celulose (+86,3%) e açúcar em bruto (+44,7%).
Os produtos básicos registraram as principais quedas nas vendas de petróleo em bruto (-71,3%), minério de ferro (-37,8%), carne de frango (-15%) e carne bovina (-13,7%). As exportações de produtos básicos também registraram acréscimos em alguns produtos como minério de cobre (+75%), soja em grão (+71,1%), fumo em folhas (+54,8%) e farelo de soja (+20,1%).
Em relação a maio desse ano (média diária de US$ 599,3 milhões), as exportações cresceram 15%, em virtude do desempenho das vendas de produtos como minério de cobre (+775,1%), alumínio em bruto (+162,7%), aviões (147,7%), laminados planos (+82,1%), tubos de ferro fundido (+62,2%), celulose (+36,2%) e fumo em folha (+31,3%). Segundo o secretário Barral, esse desempenho demonstra a recuperação das exportações de vários itens que haviam registrado queda no inicio do ano.
Importações
As importações em junho chegaram a US$ 9,843 bilhões (média diária de US$ 468,7 milhões), cifra 38% menor que a verificada em junho de 2008 (média diária de US$ 755,5 milhões). No mês, houve queda nas importações de produtos de todas as categorias: combustíveis e lubrificantes (-60,4%), matérias-primas e intermediários (-37,1%), bens de capital (-27,7%) e bens de consumo (-18,1%).
Por mercados fornecedores, na comparação com junho de 2008, foram observados decréscimos nas compras originárias da União Européia (-32,6%); Ásia (-38%); América Latina e Caribe – exceto Mercosul – (-43,3%); Oriente Médio (-70,9%); África (-57,6%); Europa Oriental (-61,1%). As importações do Mercosul cresceram 9,5%.
Semestre
De janeiro a junho de 2009, as exportações brasileiras somaram US$ 69,952 bilhões, com uma média diária de US$ 573,4 milhões. Esse desempenho também foi 22,2% menor que o verificado no mesmo período do ano passado. As importações registraram queda de 28,9%, ao saírem de uma média diária de US$ 645,1 milhões no primeiro semestre de 2008 para um desempenho médio diário de US$ 458,7 milhões em 2009. Os desembarques brasileiros de janeiro a junho de 2009 somaram US$ 55,965 bilhões.
Com esses comportamentos, o superávit acumulado no ano chegou a US$ 13,987 bilhões (média diária US$ 114,6 milhões) , valor 24,8% maior que o verificado no mesmo período de 2008 (média diária de US$ 91,9 milhões).
No primeiro semestre do ano, houve queda nas exportações dos produtos das três categorias manufaturados (-30,6%), semimanufaturados (-26,9%) e básicos (-7,4%). Segundo Welber Barral, a participação dos produtos básicos nas exportações brasileiras cresceu em relação ao primeiro semestre do ano passado. Em 2008, os básicos representaram 35,3% de tudo que o país vendeu para mercados estrangeiros, neste ano o percentual subiu para 42%. Para o secretário, isso se deu, principalmente, em virtude da manutenção dos preços de algumas commodities que o Brasil exporta e aumento da quantidade exportada de outros produtos básicos.
Entre os produtos básicos, caíram, principalmente, as vendas de petróleo em bruto (-50,4%), carne bovina (-28,3%), carne suína (-19,1%), carne de frango (-18,8%), milho em grãos (-13,6%) e café em grão (-1,7%). Entretanto, houve crescimento das exportações de fumo em folhas (+29,3%), soja em grão (+28,3%), farelo de soja (+8%) e minério de ferro (+5,9%).
No grupo dos manufaturados, foi verificado aumento nas vendas de açúcar refinado (+24,2%). No entanto, na comparação com o primeiro semestre de 2008, caíram as vendas de óleos combustíveis (-60,9%), veículos de carga (-50,3%), bombas e compressores (-42,4%), autopeças (-40,1%), suco de laranja congelado (-40,1%), etanol (-35,8%), automóveis (-37,9%), laminados planos (-36,6%), aparelhos celulares (-32,9%), calçados (-27,9%), aviões (-25,6%) e motores e geradores (-10,4%).
Nas exportações de semimanufaturados, os principais decréscimos foram observados em semimanufaturados de ferro e aço (-60%), couros e peles (-53,7%), ferro fundido (-48,8%), alumínio em bruto (-18,6%) e celulose (-16,2%). As exportações de açúcar em bruto cresceram +73,2%.
Na comparação por categoria de uso, caíram, em relação aos números do primeiro semestre de 2008, as importações de combustíveis e lubrificantes (-51,4%), matérias-primas e intermediários (-32,4%), bens de capital (-13,7%) e bens de consumo (-7%).
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Rachel Porfírio
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