Recebido por Agência Dinheiro Vivo
O círculo vicioso do câmbio
Coluna Econômica - 16/10/2009
Entenda como se comporta a dinâmica apreciação do câmbio-desvalorização cambial- nova apreciação do câmbio e o papel deletério do Banco Central.
O investidor externo ganha sempre que o real se aprecia em relação ao dólar; e perde sempre que ocorre uma desvalorização.
1. Suponha que alguém traga US$ 1 milhão com o dólar a R$ 1,70. Ele vai conseguir R$ 1.700.000,00.
2. Se ocorrer uma valorização do real e cada dólar passe a valer R$ 1,60, com aqueles R$ 1.700.000,00 originais, o investidor adquiriria US$ 1.062.500.00.
3. Se o dólar saltar para R$ 2,00, os R$ 1.700.000,00 valerão apenas US$ 850.000,00.
***
Entendido isto, vamos ver como se dá o jogo.
Suponha que o investidor entre no país com o dólar a R$ 2,00. Traz US$ 1 milhão, converte em R$ 2 milhões.
Aplica esse recurso em títulos do Tesouro e obtém mais 9% de juros ao ano. O valor do investimento salta para R$ 2.180.000,00.
Aí o dólar vai caindo, caindo, até valer R$ 1,70. Se ele converter os reais por essa cotação do dólar e tirar o dinheiro do país, sairá com US$ 1.282.353,00 - ou um lucro de 28% em apenas um ano, algo inconcebível em qualquer outra economia.
Se o investidor quiser arriscar um pouco mais, espera o dólar chegar a R$ 1,60.
Nesse caso seus reais serão convertidos por US$ 1.362.500,00 - 36% de lucros ao ano.
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A partir de determinado momento, entra-se na zona de risco. As exportações ficam muito caras, as importações muito baratas, o superávit comercial se torna déficit, as contas externas entram no vermelho.
O que pode fazer o investidor apostar por mais tempo no câmbio (prolongando a agonia do real valorizado) é o maior ou menor risco desse jogo.
Mas o investidor está tranquilo, porque sabe que o BC está montado em bom volume de reservas e pode bancar o prejuízo (do país) por mais tempo. Então, em vez de sair com o dólar a R$ 1,70 vai esperar até chegar nos R$ 1,60 ou abaixo disso.
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Aí podem ocorrer dois gatilhos disparando o câmbio. O primeiro, uma crise internacional aumentando a percepção de risco global e fazendo com que investidores tirem seu dinheiro para se garantir em títulos dos países centrais. Ou então, as próprias contas externas do país entrarem em parafuso, independentemente do cenário externo.
Com as reservas cheias, o BC permite a saída sem risco dos investidores. Os mais espertos saem na frente, os mais lerdos atrás. Ocorre uma explosão do câmbio que vai, digamos, para R$ 2,20.
A desvalorização cambial pressiona alguns preços - produtos exportados e importados e tarifas públicas. Como consequência, a inflação sai um pouco ou muito da meta. Para combatê-la, o Banco Central aumenta os juros.
Completado o ciclo, os capitais que fugiram do país olham para trás e se dão conta de um novo quadro.
Com o dólar a R$ 2,20, as contas externas entram em ordem e risco externo diminui.
Ele terá uma enorme possibilidade de ganho - com o dólar descendo de novo de R$ 2,00 para R$ 1,60 - e, agora, taxas maiores do BC remunerando seu dinheiro.
Esse ciclo vicioso tem exaurido as possibilidades de crescimento do país. E está se repetindo novamente. Será a herança maldita de Lula para seu sucessor.
O círculo vicioso do câmbio
Iniciado por Fernando M., Out 16 2009 15:27
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#1
Postou 16 outubro 2009 - 15:27
Fernando M.
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