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[EXAME] Contradição socialista: Coreia do Norte vê empreendedores surgirem no país

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A Coreia do Norte pode parecer um terreno árido para os empresários. Mas fundadores entusiastas desafiaram a falta de tecnologia e de apoio para iniciar seus próprios empreendimentos, mesmo antes que a cúpula histórica desta semana em Cingapura criasse a perspectiva de mais oportunidades econômicas.

Existe um site de comércio eletrônico chamado Manmulsang – que significa “a loja de tudo”, em um aceno à Amazon.com – e o Okryu, um serviço de compras pelo celular. Existe também um aplicativo de navegação, Gildongmu 1.0, que significa “amigo da estrada”. Os fundadores precisam superar alguns obstáculos incomuns. A única maneira que os clientes têm de conseguir aplicativos novos para o smartphone, por exemplo, é ir até uma loja física e fazer o download lá. É a App Store para autocratas.

Ainda assim, a Coreia do Norte permitiu que milhares de cidadãos estudassem empreendedorismo, apesar do aparente conflito com as práticas sotas. Choson Exchange, um grupo sem fins lucrativos, treinou mais de 2.000 norte-coreanos em seu próprio país e em Cingapura nos últimos dez anos.

Muito antes que Kim Jong-un admirasse o horizonte de Cingapura do edifício Marina Bay Sands antes da cúpula com o presidente dos EUA, Donald Trump, muitos compatriotas tomaram cerveja naquele mesmo lugar quando estavam de visita para frequentar aulas sobre empreendedorismo e capital de risco.

Ian Collins, um instrutor australiano da Choson Exchange, realizou um workshop de quatro dias para 80 pessoas ao norte de Pyongyang, em novembro. Seus alunos aprenderam a desenvolver modelos de negócios e a apresentar suas ideias de negócios em discursos de elevador de três minutos – embora não estivesse claro se algum dia eles estariam em um elevador com um capitalista de risco.

A falta de recursos desperta a engenhosidade. Vários estudantes criaram produtos móveis que usam energia solar. Outro grupo propôs tábuas de taekwondo que podem ser quebradas e remontadas mais de 100 vezes.

“Eles eram provavelmente as pessoas mais ávidas e ansiosas com quem já conversei”, disse Collins.

Os melhores estudantes frequentam as principais universidades do país, como a Universidade Kim Il-sung e a Universidade de Tecnologia Kim Chaek, onde aprendem os fundamentos da ciência da computação, embora o acesso à internet seja limitado. Eles frequentemente ganham prêmios em competições internacionais de codificação, e seus talentos ajudaram a Coreia do Norte a despontar como uma ameaça global à segurança cibernética.

Jim Rogers, investidor veterano e presidente da Rogers Holdings, ficou surpreso ao ver as mudanças que estão ocorrendo no regime controlado estritamente. Sua maior surpresa foi durante uma visita a um mercado movimentado na cidade norte-coreana de Rason, há alguns anos, onde centenas de barracas vendiam produtos do mundo inteiro.

“A Coreia do Norte está hoje onde a China estava no início dos anos 1980”, disse ele. “Tem todos os sinais – um mercado negro que estava se desenvolvendo e novas coisas estavam acontecendo. Todas essas coisas geralmente levam a um futuro muito empolgante.”

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