Dacar (Senegal) - A transferência de tecnologia brasileira para o Senegal, sobretudo nas áreas de infra-estrutura, agrícola e de produção de alimentos e biocombustíveis foi o tema central das reuniões e eventos do segundo dia da Missão Empresarial à África Subsaariana, que chegou a Dacar. O chefe da missão, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, foi recebido pelo presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, e pelo ministro do Estado da Infra-estrutura, Cooperação Internacional, Transporte Aéreo e Ocupação do Território, Karim Wade.
Como resultado inicial desses encontros, o governo senegalês anunciou a realização de duas missões técnicas ao Brasil, que estão previstas nos próximos meses. O objetivo é conhecer a tecnologia brasileira nas áreas de construção de portos e hidrelétricas; indústria de transformação de alimentos, leite e derivados; produção de carnes e coleta de lixo para reciclagem e produção de energia. O governo senegalês também quer saber mais sobre a experiência do Brasil em temas como qualificação de mão-de-obra e a criação de grandes empresas a partir da união de pequenas cooperativas, dentre outros assuntos.
"Queremos que os conhecimentos transferidos sejam de fato apreendidos e que possam produzir desenvolvimento econômico e bem estar social para as populações. Não queremos que as empresas brasileiras sejam apenas vendedoras", destacou Miguel Jorge, durante entrevista coletiva.
Segundo o ministro, apesar do intercâmbio comercial Brasil-Senegal ter aumentado 534% no período 2002-2008, a corrente de comércio entre os dois países é muito pequena - pouco mais de US$ 184 milhões em 2008. Nesse período, o Brasil manteve superávit histórico nas relações comerciais com o Senegal.
Durante o dia, Miguel Jorge também se reuniu com mais seis ministros do Senegal, que são: de Minas, da Indústria, da Transformação Alimentar dos Produtos Agrícolas e das Pequenas e Médias Empresas, Ousmane Ngom; Agricultura e da Piscicultura, Fatou Sarr; da Pecuária, Oumy Seck; do Interior, Cheikh Sy; das Forças Armadas, Becaye Diop; e de Energia e Biocombustíveis, Samuel Sarr.
Fórum Brasil-África
Em busca de um maior equilíbrio na relação comercial do Brasil com o país, o ministro destacou a importância da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com um orçamento de US$ 106 bilhões em 2009, o ministro acredita que o banco poderá ter papel de destaque no financiamento para a compra de máquinas e equipamentos brasileiros para projetos de produção de alimentos e de biocombustíveis.
"A produção de matérias-primas para biocombustíveis poderia promover o desenvolvimento rural e diversificar a produção agrícola de muitos países da região, que têm elevada dependência externa de petróleo", ressaltou Miguel Jorge na abertura do "Fórum Brasil-África Subsaariana: empreendedorismo para o desenvolvimento".
O evento foi realizado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE) em paralelo à missão empresarial. Além do Senegal, outros 14 países africanos estiveram representados: Benin, Botsuana, Cabo Verde, Camarões, Congo, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Madagascar, Moçambique, Namíbia, Quênia, Seycheles e Uganda.
Apex-Brasil
Em outro evento realizado hoje em Dacar, a feira "Brasil Agri-Solutions", a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) reuniu 18 empresas brasileiras das áreas de máquinas e implementos agrícolas; equipamentos para biocombustíveis e alimentos industrializados. A feira teve ainda a participação do BNDES, da Embrapa e do Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla), de Piracicaba (SP).
Em 2008, o Brasil exportou US$ 30 milhões em máquinas e implementos agrícolas para a África Ocidental e US$ 12 milhões em equipamentos para biocombustíveis. Em alimentos industrializados, as vendas brasileiras para a região, no mesmo período, foram de US$ 795 milhões.
Empresas brasileiras
Ao longo do dia, também foram realizadas reuniões de negócios entre empresários brasileiros que integram a missão e empresários sengaleses. Participam da missão cerca de 80 empresários dos segmentos de alimentação e bebidas, máquinas e equipamentos, tecnologia da informação, têxteis, calçados, energia, defesa, infra-estrutura e mineração.
Também fazem parte da delegação a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq); a Associação Brasileira das Industrias de Material de Defesa e Segurança (Abimde); a Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef); a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas (Abiec); e o Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais da Bahia (Sindifibras).
Nigéria
Nesta quarta-feira (10/6), a missão empresarial do Governo Brasileiro chega à Nigéria para uma nova rodada de encontros de negócios, entre empresários dos dois países, e reuniões de governo. Está previsto um encontro do ministro do MDIC com o governador de Lagos e o ministro do Comércio da Nigéria.
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Crédito da imagem: Roosewelt Pinheiro/ABr
Veja as fotos da missão comercial à África Subsaariana
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Juliana Ribeiro
ascom@mdic.gov.br
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