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[EXAME] Nenhum país deu certo “se escondendo da globalização”, diz secretário

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São Paulo – Marcos Troyjo, Secretário Especial de Comércio Exterior e Relações Internacionais do Ministério da Economia, disse nesta segunda-feira (15) que o Brasil precisa “parar de fugir da globalização e fazer inserção competitiva”.

A declaração foi feita em conversa com André Lahoz Mendonça de Barros para um evento de VEJA e EXAME em São Paulo sobre os primeiros 100 dias do governo Bolsonaro.

Ele disse que é difícil achar países que deram certo “se escondendo da globalização” nas últimas décadas, citando exemplos de sucesso como Chile e China.

Sua aposta é que o Brasil, apesar de atrasado no comércio internacional, ainda tem oportunidades de integração pois o mundo não deve ficar para sempre nesse momento de desglobalização, mesmo que não volte para a globalização acelerada vista entre 1989 e 2008.

Troyjo lembrou também que EUA e China são o maior parceiro comercial e o maior destino de investimentos nas duas direções e vê as disputas atuais, como a guerra de tarifas, como parte de um “ajuste entre dois gigantes”.

Ele também não vê risco para a relação brasileira com a China por causa da aproximação com os EUA, que classifica como um reset, acelerado para compensar um afastamento anterior.

Estratégia

Para impedir que as discussões de integração sejam dominadas por interesses corporativos, a ideia é pensar as pautas de forma mais estratégica e de longo prazo.

Um dos caminhos para isso é superar a ideia de “acordos comerciais” e abarcar temas como investimentos e regras mais amigáveis; a tentativa de adesão na OCDE visaria esse tipo de alinhamento.

Ele notou que a área teve divergências internas em governos anteriores, como entre Pedro Malan (Fazenda) e José Serra (Planejamento) no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso mas que na nova estrutura do Ministério da Economia “há uma coesão importante que traz o comércio internacional para o coração da política”.

Em um painel seguinte, Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e ex-embaixador nos Estados Unidos, apontou incoerência entre o discurso do secretário e de outros setores do governo: “Tudo que o Marcos Troyjo disse é perfeito, mas é o contrário do que o Itamaraty diz”.

Ricupero também rebateu uma frase, citada por Troyjo, repetida frequentemente pelo presidente de que o país precisa fazer negócios sem viés ideológico.

“Isso é o que ele diz, não é o que ele faz. Na prática ele [Bolsonaro] é um homem totalmente orientado pelo viés ideológico e só se ilude quem quiser”.

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